Cabo Aênia no JurisCast: trajetória, luta pela tropa e propostas para a segurança pública

O JurisCast recebeu a Cabo Aênia, candidata a deputada estadual em Pernambuco pelo número 22190, para uma conversa sobre sua trajetória na Polícia Militar, os episódios que marcaram sua vida dentro e fora da corporação e as propostas que pretende defender na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Ao longo das entrevistas, temas conhecidos da rotina dos policiais e bombeiros militares ganharam espaço: promoções, PJES, condições de trabalho, processos disciplinares, assistência jurídica, assédio, valorização profissional e combate ao crime organizado.

Cabo Aênia: Da luta pela categoria à exclusão da Polícia Militar

A trajetória apresentada por Aênia durante o JurisCast está diretamente ligada aos movimentos reivindicatórios dos policiais e bombeiros militares de Pernambuco. Ela relembrou passeatas, mobilizações e atos em defesa de melhores salários, condições de trabalho e progressão na carreira.

Segundo a entrevistada, um desses episódios mudaria definitivamente sua vida. Aênia afirmou que sua participação em movimento reivindicatório, inclusive discursando em cima de um trio elétrico sobre reajuste salarial, plano de cargos e carreiras e jornada extra, esteve entre os fatos que resultaram no processo que culminou em sua exclusão da Polícia Militar.

Sem o salário da corporação, contou que recebeu ajuda financeira de policiais e bombeiros nos primeiros meses. Depois, buscou outras formas de sustento. Relatou ter vendido produtos na orla do Janga e até trabalhado com a venda de filhotes de cães. Posteriormente, passou a atuar como assessora parlamentar na Câmara dos Deputados.

A candidata também falou sobre a batalha judicial relacionada à sua reintegração. Conforme seu relato no programa, obteve decisões judiciais favoráveis ao retorno à corporação, embora afirmasse, no momento da gravação, que a reintegração ainda não havia sido concretizada.

Cabo Aênia: PJES, valorização e condições de trabalho

Um dos assuntos que mais aproximaram a entrevista da realidade cotidiana da tropa foi o Programa de Jornada Extra de Segurança, o PJES.

Aênia criticou situações em que, segundo ela, policiais seriam convocados para jornadas extraordinárias que deveriam ter caráter voluntário. Também questionou atrasos nos pagamentos e diferenças entre os valores recebidos por policiais militares e civis.

Como proposta, afirmou que pretende defender o caráter voluntário do serviço extraordinário e buscar maior equiparação entre as forças. Na entrevista, citou o valor de R$ 180 pago em determinadas jornadas da PM e argumentou que policiais militares e civis pertencentes à estrutura da segurança pública não deveriam receber tratamento tão desigual pelo serviço extra.

Outro ponto defendido pela candidata é a atualização e humanização das normas disciplinares. Para Aênia, hierarquia e disciplina não podem ser confundidas com desrespeito ao subordinado. Dentro desse debate, ela também colocou entre suas bandeiras o enfrentamento ao assédio moral e sexual nas corporações, ressaltando que o assédio moral pode atingir tanto mulheres quanto homens.

Cabo Aênia: Segurança pública e combate ao crime organizado

A experiência nas ruas também apareceu quando a discussão avançou para o enfrentamento às facções criminosas.

Aênia defendeu maior integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, sistema de Justiça e demais órgãos públicos. Entre as medidas mencionadas estão fortalecimento da inteligência, compartilhamento de informações, uso de tecnologia para identificação de veículos e procurados, fiscalização das divisas estaduais e investigação do fluxo financeiro das organizações criminosas.

A candidata também defendeu maior utilização de drones e sistemas de monitoramento em áreas dominadas pelo crime e no entorno dos estabelecimentos prisionais, além de medidas para impedir comunicações ilícitas originadas dos presídios. Outro ponto citado foi o fortalecimento da patrulha escolar como instrumento de prevenção ao aliciamento de crianças e adolescentes pelo tráfico.

Na discussão sobre orçamento, Aênia reconheceu os limites de atuação parlamentar sobre despesas de iniciativa do Executivo, mas destacou o papel dos deputados estaduais na análise e votação da Lei Orçamentária. Segundo ela, um eventual mandato buscaria fiscalizar as prioridades destinadas à segurança pública.

Principais propostas da Cabo Aênia

  • Valorização salarial e profissional da tropa.
  • PJES voluntário e pagamento sem atrasos.
  • Humanização das normas disciplinares.
  • Combate ao assédio moral e sexual.
  • Apoio jurídico aos policiais e bombeiros.
  • Fortalecimento da inteligência policial.
  • Integração das forças de segurança.
  • Combate às facções e à lavagem de dinheiro.
  • Maior fiscalização das divisas de Pernambuco.
  • Tecnologia, câmeras e drones contra o crime.
  • Maior controle dos presídios.
  • Fortalecimento da patrulha escolar.
  • Fiscalização dos investimentos em segurança pública.

Cabo Aênia: Da experiência pessoal para a disputa por uma cadeira na Alepe

Nas duas entrevistas ao JurisCast, a candidatura de Aênia aparece vinculada à experiência que ela afirma ter acumulado defendendo policiais e bombeiros militares.

Sua própria exclusão da corporação tornou-se parte central dessa trajetória. Segundo a candidata, passar anos afastada, enfrentar dificuldades financeiras e buscar judicialmente sua reintegração reforçaram sua decisão de permanecer atuando em defesa da categoria.

Agora, como candidata a deputada estadual pelo número 22190, Aênia apresenta segurança pública e valorização dos profissionais da área como eixos de sua candidatura.

No encerramento de uma das entrevistas, resumiu a mensagem que pretende levar à Assembleia afirmando que, por trás do colete, existe um profissional que tem família e precisa de dignidade, apoio, valorização e respeito.

O JurisCast segue abrindo espaço para conhecer as histórias e propostas de integrantes e ex-integrantes das forças de segurança que decidiram disputar cargos eletivos em Pernambuco. O objetivo é permitir que policiais, bombeiros militares e a sociedade conheçam diretamente o que cada entrevistado apresenta e tirem suas próprias conclusões.

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