Chefe do tráfico preso em Cabo Frio durante passeio de luxo na Ilha do Japonês. Foragido com 7 anotações por homicídio e roubo é capturado pela PM em operação estratégica com motos aquáticas. Entenda os impactos para a Segurança Pública e o que essa prisão revela sobre a expansão das facções criminosas.

Introdução

Era mais um dia de sol na Região dos Lagos. Turistas circulando, embarcações ancoradas e o cenário típico de lazer na famosa Ilha do Japonês, em Cabo Frio.

Mas no meio do passeio aparentemente tranquilo, um alvo estratégico estava sendo monitorado.

Na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, a Polícia Militar prendeu Marbem Gomes de Souza Junior, apontado como um dos chefes do tráfico nas comunidades de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Foragido da Justiça pelo crime de roubo e com sete anotações por homicídio e roubo, ele foi capturado durante um passeio de barco, em uma ação integrada com uso de motos aquáticas.

A cena chama atenção. Não apenas pelo contraste entre o luxo momentâneo e a ficha criminal extensa. Mas principalmente pelo que ela revela sobre o novo perfil das lideranças do crime organizado e os desafios operacionais enfrentados pela Segurança Pública.

Para o policial que está na ponta, esse caso vai muito além de uma prisão midiática. Ele expõe inteligência estratégica, integração entre unidades e, acima de tudo, a importância da legalidade na execução da captura.

E é exatamente isso que vamos analisar agora.

Chefe do Tráfico Preso em Cabo Frio: A Captura na Ilha do Japonês

A prisão foi resultado de uma ação coordenada entre a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar, o Comando de Polícia Ambiental e o 25º BPM.

O alvo não foi localizado por acaso.

Houve monitoramento prévio, acompanhamento estratégico e escolha do momento certo para abordagem. Segundo informações divulgadas, os agentes identificaram que o criminoso estava aproveitando dias de sol na orla da ilha. A abordagem ocorreu com apoio de motos aquáticas, o que demonstra planejamento e adaptação tática ao ambiente náutico.

Para o operador experiente, esse detalhe é fundamental.

Operações em áreas turísticas exigem:

• Controle de risco para civis
• Observância estrita da legalidade
• Planejamento para evitar fuga por meio aquático
• Proporcionalidade no uso da força

A captura foi realizada sem registro de confronto armado, e o suspeito foi conduzido à 126ª DP para registro da ocorrência.

Aqui entra um ponto crucial para quem veste a farda: o cumprimento de mandado de prisão é um ato administrativo e judicialmente respaldado. A legalidade da ação protege o policial de futuras alegações de abuso ou excesso.

Quando a prisão é fruto de inteligência e não apenas de confronto, o impacto estratégico é maior e o desgaste institucional é menor.

E isso nos leva ao próximo ponto: quem era esse alvo e qual o contexto maior dessa prisão?

Tráfico em Belford Roxo e a Expansão da Facção para o Nordeste

O preso é apontado como liderança nas comunidades do Parque Floresta, Caixa D’Água, Casinhas e Morro da Galinha, em Belford Roxo.

Regiões historicamente marcadas por disputas territoriais, presença ostensiva de facções e alto índice de confrontos armados.

Mas o dado que mais chama atenção é outro.

Segundo a Polícia Militar, o criminoso também articulava a expansão da facção para estados do Nordeste, como Alagoas e Pernambuco.

Isso revela uma tendência clara no cenário do crime organizado brasileiro:

• Interiorização e expansão interestadual das facções
• Busca por novos mercados de drogas
• Tentativa de controle de rotas logísticas
• Estratégia de pulverização para dificultar repressão

Em janeiro de 2020, ele já havia sido ferido em confronto em Recife e localizado posteriormente em Maceió, onde foi preso à época.

Ou seja, trata-se de liderança com mobilidade geográfica, conexões fora do estado e histórico de enfrentamento armado.

Para a Segurança Pública, isso exige integração entre polícias estaduais, compartilhamento de dados e fortalecimento da inteligência.

E para o policial militar, fica a lição: o combate ao crime organizado hoje não é mais local. Ele é interestadual, articulado e adaptável.

Repercussões para a Segurança Pública e o Combate ao Crime Organizado

Essa prisão envia três mensagens claras.

Primeira: a inteligência policial funciona.

A atuação integrada mostra que a PM não depende apenas de incursões ostensivas em comunidades. O monitoramento estratégico permite capturar lideranças fora do ambiente de confronto, reduzindo riscos para tropa e população.

Segunda: a mobilidade do crime exige mobilidade da repressão.

O fato de o alvo estar em área turística reforça que lideranças tentam se afastar temporariamente da zona de conflito para reduzir exposição. Isso não significa que estejam fora do radar.

Terceira: a prisão de liderança pode gerar efeitos imediatos no território.

Quando um chefe é retirado da cadeia de comando, há possibilidade de:

• Disputa interna por poder
• Retaliações pontuais
• Reorganização da estrutura criminosa

Para o policial da ponta, isso significa atenção redobrada nos dias seguintes à prisão.

Do ponto de vista jurídico, trata-se de cumprimento de mandado, com histórico criminal robusto e reincidência. A depender da condenação definitiva e da situação processual, dificilmente se trata de prisão simples sem repercussão penal significativa.

Mas cabe lembrar: o devido processo legal será observado. E é exatamente isso que diferencia o Estado do criminoso.

Conclusão: O Recado ao Crime Organizado e as Lições para a Tropa

A prisão do chefe do tráfico em Cabo Frio não é apenas uma manchete impactante.

Ela representa:

• Inteligência estratégica aplicada
• Integração operacional
• Legalidade na execução da captura
• Enfrentamento à expansão interestadual de facções

Como ex 2º Sargento da Polícia Militar, afirmo com convicção: operações como essa demonstram maturidade institucional. O combate ao crime organizado precisa ser técnico, jurídico e estratégico.

Para você, policial militar que lê este artigo, a lição é clara:

A inteligência protege vidas.
A legalidade protege sua carreira.
O preparo jurídico protege sua liberdade.

O cenário da Segurança Pública está cada vez mais complexo. Facções se reorganizam, expandem e tentam se sofisticar. Mas a atuação qualificada e juridicamente amparada continua sendo a principal arma do Estado.

E lembre-se: você enfrenta dois riscos permanentes. O risco da rua e o risco jurídico.

Por isso, informação e orientação não são luxo. São proteção.

Quem protege a sociedade também precisa ser protegido.

FAQ – Perguntas frequentes sobre o tema

1. Quem é o Chefe do Tráfico preso em Cabo Frio?

O Chefe do Tráfico preso em Cabo Frio é apontado pela Polícia Militar como uma das principais lideranças criminosas em comunidades de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O Chefe do Tráfico estava foragido da Justiça pelo crime de roubo e possuía diversas anotações por homicídio e outros crimes graves.

2. Onde o Chefe do Tráfico foi preso?

O Chefe do Tráfico foi preso durante um passeio de barco nas imediações da Ilha do Japonês, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A prisão do Chefe do Tráfico ocorreu em área turística, o que exigiu planejamento estratégico da Polícia Militar para evitar riscos à população.

3. Como aconteceu a prisão do Chefe do Tráfico?

A prisão do Chefe do Tráfico foi resultado de uma ação integrada entre setores de inteligência da Polícia Militar, o Comando de Polícia Ambiental e o 25º BPM. O Chefe do Tráfico foi monitorado previamente e abordado com apoio de motos aquáticas, demonstrando atuação estratégica e legalmente fundamentada.

4. O Chefe do Tráfico estava foragido?

Sim. O Chefe do Tráfico estava foragido da Justiça pelo crime de roubo. Além disso, o Chefe do Tráfico possuía sete anotações criminais por homicídio e roubo, segundo informações divulgadas pela corporação.

5. O Chefe do Tráfico atuava apenas no Rio de Janeiro?

Não. Além de atuar em Belford Roxo, o Chefe do Tráfico também era apontado como articulador da expansão da facção para estados do Nordeste, como Alagoas e Pernambuco. Isso demonstra que o Chefe do Tráfico possuía atuação interestadual, ampliando o alcance da organização criminosa.

6. A prisão do Chefe do Tráfico impacta o crime organizado?

Sim. A prisão de um Chefe do Tráfico costuma gerar impacto direto na estrutura da facção criminosa. Quando um Chefe do Tráfico é retirado da cadeia de comando, pode haver reorganização interna, disputa por liderança e tentativa de retaliação. Por isso, a captura de um Chefe do Tráfico tem relevância estratégica para a Segurança Pública.

7. A prisão do Chefe do Tráfico foi legal?

De acordo com as informações oficiais, a prisão do Chefe do Tráfico ocorreu em cumprimento de mandado judicial. Quando um Chefe do Tráfico é capturado com base em decisão judicial, a atuação policial está amparada pelo devido processo legal, o que garante segurança jurídica aos agentes envolvidos.

Referências:

  • https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/02/18/chefe-do-crime-em-belford-roxo-e-preso-em-passeio-de-barco-na-ilha-do-japones-em-cabo-frio-video.ghtml
  • https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/chefe-do-crime-e-preso-em-barco-durante-festa-em-alto-mar-no-rj/
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Tiago O. Reis, é especialista em causas militares e Segurança Pública, com uma trajetória sólida construída dentro e fora da caserna. Atuou como 2º Sargento da Polícia Militar, acumulando mais de 10 anos de experiência real na caserna, em operações, instrução e na aplicação prática da legislação militar.

Profundo conhecedor das normas que regem a vida do militar, como: Estatuto dos Militares, Código Disciplinar, legislação penal militar e normas administrativas, ele se tornou referência em interpretação jurídica aplicada ao cotidiano operacional. Sua vivência vai além da teoria: ele sentiu na pele as dificuldades, cobranças, injustiças e riscos que todo militar enfrenta diariamente.

Durante sua carreira, foi instrutor de cursos estratégicos, incluindo:

• Legislação aplicada à Polícia Militar;
• Procedimentos operacionais e Aspectos Jurídicos da Abordagem Policial, dentre outros;

Aliado a isto tem mais de 12 anos de advocacia em defesa do Policial e Bombeiro em diversos procedimentos administrativos (PADs, IPMs e outros) e processos judiciais de alta complexidade.